Uma viagem pelos meus discos
Resenha do Ariel Pink

Esquentando a volta do Discofonia - logo mais tem novos episódios do podcast, juro -, publico aqui uma pequena resenha que fiz do novo disco do Ariel Pink's Haunted Graffiti, publicada no Estadão no sábado, aí vai:

 

ARIEL PINK"S HAUNTED GRAFFITI

BEFORE TODAY

 

Normalmente, revivals têm a pretensão de voltar a pontos altos da cultura pop. Na contramão disso, um fenômeno interessante vem ocorrendo desde o ano passado: a reabilitação de sons dos anos 80 que, se dependesse da crítica, permaneceriam enterrados no mesmo cemitério das ombreiras e das calças semibag. São aqueles timbres de guitarra e de sintetizador que abasteceram tanto a invasão britânica do new pop quanto o softrock. Compositor maníaco, conhecido por suas fitas lo-fi e seus primeiros discos de pop mutante pelo selo Paw Tracks, do Animal Collective, Ariel Pink chega a um público maior com Before Today. Um álbum que, a despeito da ironia de Pink nas letras, bebe no softrock, com tudo o que isso implica: negritude desbotada, solos de guitarra emasculados, teclados açucarados e muito, muito falsete nos vocais. A graça de Before Today está no modo como Pink costura esses elementos do passado com uma sensibilidade atual, fazendo com que tanto um fã de Chicago quanto um de Sulfjan Stevens consigam se divertir com seu rock pop ácido e ultramelódico.

Category:general -- posted at: 6:15pm -03